terça-feira, 31 de julho de 2007

Da infelicidade do poeta

"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza..."
(Samba da Benção - Vinícius de Moraes)

Todo poeta é infeliz. Não por opção, mas por destino. E se não por destino, por opção. Nas veias poéticas não corre o sangue dos humanos comuns, alheios às questões chave do universo, e sim a angústia, fluido vital de toda poesia.
Todo poeta é infeliz, incompleto, angustiado, depressivo. E tira dessa tristeza o proveito necessário à construção de seu labor. É da tristeza que ele tira a beleza que faz escorrer em cada linha que transcreve no papel. E coroando o final de cada poesia, não é surpresa encontrar marcas de lágrimas, confetes de um carnaval que ele não pula, não comemora, que não lhe alegra.
Todo poeta é infeliz. E faz de sua infelicidade a fórmula do sucesso de suas palavras. É ela que irá criar o encanto necessário para a sedução que aparece em cada linha de uma poesia bem feita. E todos irão se apaixonar pela forma com que o poeta astuto, tal qual artesão, faz da tristeza bruta a matéria-prima de sua arte final.
Todo poeta é infeliz. E sabe que se não o fosse, poeta não seria.
Todo poeta é infeliz. De um jeito ou de outro. Se não de nascimento, por escolha própria. Se não por escolha por vocação. Vocação de fazer de sua tristeza o encanto e a magia para a alegria de outros corações.

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